sexta-feira, 3 de agosto de 2012

OS MUROS de POA

A gravura que fiz sobre os muros de Porto Alegre acompanha este poema, escrito por Analdo Sisson
 
Muros
 
Aquelas ruas também minhas
eram tuas e eram nossas.

No jardim daquelas casas, nem chave nem parede,
no portão que não se usava, um só trinco...
e de brinquedo.

Hoje o medo lança cercas junto à grama,
o enredo obrigatório trança escuros pelo espaço 
e a segurança trama alto seus arames.

Mais que ao corpo essa teia fere a vista
e a muralha feia, bruta e alta impede que se assista
a chegada do carteiro, nova rosa no canteiro,
e um povo mais faceiro no passeio.

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