A gravura que fiz sobre os muros de Porto Alegre acompanha este poema, escrito por Analdo Sisson
Muros
Aquelas ruas também minhas
eram tuas e eram nossas.
No jardim daquelas casas, nem chave nem parede,
no portão que não se usava, um só trinco...
e de brinquedo.
Hoje o medo lança cercas junto à grama,
o enredo obrigatório trança escuros pelo espaço
e a segurança trama alto seus arames.
Mais que ao corpo essa teia fere a vista
e a muralha feia, bruta e alta impede que se assista
a chegada do carteiro, nova rosa no canteiro,
e um povo mais faceiro no passeio.
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